Lembrou que sempre quis ter uma cama enorme e macia, pra dormir ao lado de alguém que ela amasse a ponto de sentir dor no peito quando ficasse longe.
Agora ela tinha a cama. E alguém que ela amava muito mais do que um dia imaginou.
O vento entrava pela fresta da porta da sacada. Estava entreaberta desde a noite anterior. Os raios de sol já atravessavam a janela, 6:15. A noite tinha sido especialmente agradável.
Calçou as pantufas, foi preparar um café. O cheiro do café e a música que ela cantarolava da cozinha o despertaram. Ele ligou a tv para assistir o jornal matinal. Era domingo.
Então logo a mesa estava pronta. Café quentinho, leite quentinho, pão quentinho. Queijos, frutas e suco. Torrada e geléia. Metade de um bolo.
Ela ouviu a TV ligada, e foi ver se ele já estava acordado. 7:02.
Ele estava no banheiro. Tomava uma ducha morna, sem pressa, relaxando. Com certeza sairia logo para comprar o jornal de todos os domingos, antes mesmo do café.
Ela pensava se ele se lembraria. 25 de junho. Mas não tocou no assunto. Queria que ele se lembrasse sozinho. Que esse dia tivesse importância pra ele.
Saiu do banho. Cheiroso, sorridente, com um bom humor invejável.
- Bom dia meu amor! Docilmente ele disse.
- Bom dia! Com um sorrisinho, ela respondeu.
- Vou atrás do meu jornal, não demoro viu?
- Tudo bem. O café já tá na mesa.
7:40.
Ela escuta a porta bater, mas não o vê entrar. Está com uma xícara de café na varanda, lendo seu livro enquanto espera.
Ele entra com o jornal. Ela abaixa a cabeça, "até agora ele não tocou no assunto".
- Amor, olha só essa notícia aqui.
Ela pega o jornal. Ele passa o braço por trás dos ombros dela, e beija-lhe a nuca. Eles conversam sobre futebol, sobre o tempo, sobre os programas de tv. E ela fica feliz, mesmo sem ele ter feito nenhuma surpresa. Tudo como sempre foi. E do que eu preciso mais? Sou feliz demais.
Mas no fundo no fundo ela esperava que até a hora do almoço ele aparecesse com flores, ou quem sabe um passeio, um jantar mais tarde. Sem dúvidas, apareceria. E ela sabia disso.
8:21.